sábado, maio 21, 2011

ABC Sexo

Abre-te!
Beija-me!
Cobre-me!

Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.

Ai!
Basta!
Cala-te!

Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?

Ah!
Biscoito
Crocante!

Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!

Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!

Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!

Noel Ferreira

foto Kevin C Loreaux

quarta-feira, maio 18, 2011

O Dom

foto  baciar
ouve.
as histórias que
lês desde o princípio
já as contei.
enigma.
no princípio era o
verbo.
vê.

as histórias
que já te contei aqui
tornarem-se realidade
para a frente. 
já as
contei
lá atrás.

eu sou o enigma
lê o verbo aqui.
no princípio
eram mentiras - dizias.
tudo que foi dito
acontece 
aconteceu
acontecem. 
não param de acontecer....

não te assustes
descodifica

os outros
não acreditam
medo de acreditar
acreditas
tu
a eles
falta-lhes
o "conhecimento"

you are...


you are...A MAN



foto dylan ricci

segunda-feira, maio 16, 2011

quarta-feira, março 16, 2011



foto denis olivier
As nossas bocas misturam-se com as línguas, o corpo inflama-se, dói quase. Deixa-me beijar-te por dentro.
Pedro Paixão

segunda-feira, março 07, 2011


O beijo solta-se-me na boca
rola-me nas mãos, cai-me no chão.
Levanto-o, sem pensar, entranho-o,
devolvo-o, no cair da boca chama.
Fome de desejo, o beijo aponta,
chega-se-me em marés de bocas,
supreendentes bocas, bocas fome.
Doces as bocas, em religiosidade
de beijos que se espreguiçam lânguidos.
E eu, a querer só a tua boca, o beijo
que se solta, que cai no chão,
em marés na saudade de ter
o beijo sem ser. Guardá-lo.
Beijo a tua boca em exorcismo
de coisa nua, chamas e poentes clandestinos.
O beijo que se solta e se espreguiça, lânguido.
Lânguidas bocas, onde o beijo aponta.


ouve. as histórias que lês desde o princípio , já te contei. enigma .
no princípio, era o verbo. vê as histórias que te contei aqui
tornarem-se realidade . eu já sou um deles. lá atrás. pensa.

para a frente, já as contei lá atrás. são-te familiares. vê. lê. para a frente.

eu sou o enigmalê o verbo aquijá do princípio
novelas aconteceram
acontecem
. não param
de acontecer....

Coincidências. Acasos. Enigma.

Nota 0
Nota 20


descodifica

surpresa ainda.
Bruxa. Bruxo.
Noutros tempos, fogueira.
Verdade.

Hoje: o "conhecimento".
não tenhas medo. não te faço mal.
NÃO DIGAS QUE NÃO TE AVISEI.

O DOM


foto miguel angel barron

sexta-feira, março 04, 2011

e, no entanto



na solidão do ar lá está ela
o fogo da fogueira segredo.
pensamento. demora.
turbulento coração;
«ouve que te amo»
e, no entanto,
espero por ti, o corpo saudoso
à espera.  tu virás com o teu teatro,
o barulho, o verbo
e, no entanto,
ficam sempre por dizer
as palavras principais e urgentes.
errantes os teus cabelos
soltam-se no meu peito,
o muro do silêncio irrompe do corpo,
e somos pensamento encadeado,
o barulho, o verbo.

foto andré simões

quarta-feira, março 02, 2011

Lillian Bassman, Barbara Mullen

New York. Harper's Bazaar,  1950

Quando te amo fico assim criança, sem palavras. Só posso dizer o que te digo poderia dizer que te amo, não sorrias. Sabes como eu, como se fosse possível fugir. Para quê mais palavras. Como me deixassem dentro dos teus olhos, as palavras. As palavras nas palavras. Eu próprio para trás. Estás linda, acredito no silêncio. Palavras são como as cerejas, tu e eu, não conseguimos parar.
Palavras. Palavras. Conheces-me tão bem, chegou a altura de dizer.

Dizer-te: amo-te. Amo-te demasiado quase demasiado ou mais do que demasiado.
E tu dizes:-amo-te-.
E ao dizeres amo-te pousas os lábios na minha testa. És linda e eu amo-te.

terça-feira, março 01, 2011



e ela veio, calada
tem a cor do coração do homem

só mais um dia
hoje o dia foi fome

ela tem o poder de uma criança
amanhã, sempre quiseste o amanhã

frases soltas de um homem cansado
o amanhã na esperança do teu corpo.

foto eric richmond

domingo, fevereiro 13, 2011


a minha boca ficou no teu pescoço
nesse ponto, nessa marca, nesse teu
jeito de morderes as palavras, dança
nos braços da tua quentura, sensualidade
de dizeres amanhã, hoje, ou nunca.
nunca. a tua marca em tudo o que fazes,
dizes, mostras. a minha boca continua
no teu pescoço e os meus lábios procuram
aí. nesse ponto, nessa marca, na dança
das palavras, na quentura dos teus braços.

foto Ernestine Ruben

terça-feira, fevereiro 08, 2011


she's the queen of the queens.
she's the queen of the night.


the abyss calling the abyss...

foto paolo santambrogio

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Dorme

Dor de ver-te
amor morto

Dor de amar-te
morto amor

Dor a morte
dor o amor


Dorme

(alexandre o'neill)


foto Erwin Blumenfeld

terça-feira, novembro 09, 2010

Como renasces ao amar...

andreas heumann
Como renasces ao amar. Que corpo te possui? Dimanam (crescem) de ti forças que ignoro ao transtornar-te, ao abateres nesta ondulação envolvente que é o acto de amarmos, uma guilhotina ascendente partindo do corpo para o espaço, contrariando a gravidade e por isso mesmo fixar-se como um olho severo e ciclópico, um sexo assexuado, pénis-vagina, hermafrodita florestal, animal vegetal, a longa experiência dos equinodermes, a solidão dos ciclóstomos, os primitivos placentários de corpo minúsculo.

Mas que imensidão quando emerge nos teus olhos esta recriação do procriar, a grandeza do prazer, a ferocidade da morte-viva, a imitação da vida, o desflorar da atmosfera dos pulmões que nos respiram, o sorvo cataléptico do teu orgasmo plasmado no meu, trevas e luzes que escorrem em denso liquido, um sangue contaminado e bebível no seu jorro ovariano, uma natureza que se contraria pura para te ter, agarrar com dedos enclavinhados os tecidos mais secretos do teu ser, fundir a matéria espermática do que sou e, construção escultórica de mãos, explodir no magma, crestar para enobrecer enobrecido, dissolver os contornos, transcender seus átomos.

(carlos eurico da costa)

E APROXIMAS-TE...


foto daqui

My Phallic Lover

claude fauville

You're the train inside my tunnel
You're the finger in my glove
You're the gear stick in my gearbox
My god this must be love

You're the drill inside my cavity
You're the handle in my broom
The lead that fills my pencil
I'm your gate and you're my boom

You're the carrot in my crisper
You're the ladder to my loft
You're the pistol in my holster
Mind you don't go off!

You're the sword inside my scabbard
The sausage in my hotdog
You're the French stick in my basket
You're my snake and I'm your log

You're the eel that swims my waterhole
The utensil in my drawers
You're the cork that seals my bottle
Yes it's you that I adore

In my engine you're the piston
You're the toothpaste in my tube
The zucchini in my fettuccini
Oh I'm so in love with you

You're the rat inside my drainpipe
You're the log that burns my fire
The banana in my smoothie
Yes it's you that I desire

You're the bottle in my cooler
The plunger in my loo
Your torpedo fills my submarine
Yes my darling I love you

You are my phallic lover
We are a perfect fit
I'd like to do some things with you
If you'd be up to it?

So take me back to your place
And we can have some fun
It feels just right to hold you tight
As we two become as one.

Arcadia Flynn



quarta-feira, outubro 27, 2010

O Trio Infernal

"temos maneira de te prender
temos maneira de te convencer
não podes fugir, não vais resistir.
começa a sorrir tu vais cair.
não podes fugir tu vais cair."

foto olaf martens

este não é uma poema

haleh bryan

só tu cruzas e sobressaltas
os meus dias
embriago-me no perfume
do teu riso
nada me desvia deste
amor mais louco
o vento embriaga-se de ti
e o meu coração murmura
a canção das flores
que perderam o rumo em ti
os teus olhos iluminam
caminhos antigos

este não é um poema


sexta-feira, outubro 22, 2010

escolho-te a ti -


no horizonte que se vai fechar, digo: olha-me bem nos olhos.
és um grande mar de água doce e o silêncio a arder. deixa ficar-
procuro-te num fogo coração, na rua por passos noutra vida.
a tremura de sentir que és, enfim, minha. as veias têm cordas,
duas asas, dois braços abrindo veias do meu sangue. a ti volto.

foto philippe pache

quarta-feira, outubro 20, 2010


Lubanski

Robert Lubanski






Robert Lubanski

Sabia encontrar os seus lábios

…Sabia encontrar os seus lábios


Quilómetro doze


e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força na palma das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.

foto andreas heumann
José Luís Peixoto
"Cemitério de Pianos"

sexta-feira, outubro 15, 2010

terça-feira, outubro 12, 2010

Kevin Rolly Photography





"Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah"
-LEONARD COHEN

fotos de Kevin Rolly

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