domingo, fevereiro 13, 2011


a minha boca ficou no teu pescoço
nesse ponto, nessa marca, nesse teu
jeito de morderes as palavras, dança
nos braços da tua quentura, sensualidade
de dizeres amanhã, hoje, ou nunca.
nunca. a tua marca em tudo o que fazes,
dizes, mostras. a minha boca continua
no teu pescoço e os meus lábios procuram
aí. nesse ponto, nessa marca, na dança
das palavras, na quentura dos teus braços.

foto Ernestine Ruben

terça-feira, fevereiro 08, 2011


she's the queen of the queens.
she's the queen of the night.


the abyss calling the abyss...

foto paolo santambrogio

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Dorme

Dor de ver-te
amor morto

Dor de amar-te
morto amor

Dor a morte
dor o amor


Dorme

(alexandre o'neill)


foto Erwin Blumenfeld

terça-feira, novembro 09, 2010

Como renasces ao amar...

andreas heumann
Como renasces ao amar. Que corpo te possui? Dimanam (crescem) de ti forças que ignoro ao transtornar-te, ao abateres nesta ondulação envolvente que é o acto de amarmos, uma guilhotina ascendente partindo do corpo para o espaço, contrariando a gravidade e por isso mesmo fixar-se como um olho severo e ciclópico, um sexo assexuado, pénis-vagina, hermafrodita florestal, animal vegetal, a longa experiência dos equinodermes, a solidão dos ciclóstomos, os primitivos placentários de corpo minúsculo.

Mas que imensidão quando emerge nos teus olhos esta recriação do procriar, a grandeza do prazer, a ferocidade da morte-viva, a imitação da vida, o desflorar da atmosfera dos pulmões que nos respiram, o sorvo cataléptico do teu orgasmo plasmado no meu, trevas e luzes que escorrem em denso liquido, um sangue contaminado e bebível no seu jorro ovariano, uma natureza que se contraria pura para te ter, agarrar com dedos enclavinhados os tecidos mais secretos do teu ser, fundir a matéria espermática do que sou e, construção escultórica de mãos, explodir no magma, crestar para enobrecer enobrecido, dissolver os contornos, transcender seus átomos.

(carlos eurico da costa)

E APROXIMAS-TE...


foto daqui

My Phallic Lover

claude fauville

You're the train inside my tunnel
You're the finger in my glove
You're the gear stick in my gearbox
My god this must be love

You're the drill inside my cavity
You're the handle in my broom
The lead that fills my pencil
I'm your gate and you're my boom

You're the carrot in my crisper
You're the ladder to my loft
You're the pistol in my holster
Mind you don't go off!

You're the sword inside my scabbard
The sausage in my hotdog
You're the French stick in my basket
You're my snake and I'm your log

You're the eel that swims my waterhole
The utensil in my drawers
You're the cork that seals my bottle
Yes it's you that I adore

In my engine you're the piston
You're the toothpaste in my tube
The zucchini in my fettuccini
Oh I'm so in love with you

You're the rat inside my drainpipe
You're the log that burns my fire
The banana in my smoothie
Yes it's you that I desire

You're the bottle in my cooler
The plunger in my loo
Your torpedo fills my submarine
Yes my darling I love you

You are my phallic lover
We are a perfect fit
I'd like to do some things with you
If you'd be up to it?

So take me back to your place
And we can have some fun
It feels just right to hold you tight
As we two become as one.

Arcadia Flynn



quarta-feira, outubro 27, 2010

O Trio Infernal

"temos maneira de te prender
temos maneira de te convencer
não podes fugir, não vais resistir.
começa a sorrir tu vais cair.
não podes fugir tu vais cair."

foto olaf martens

este não é uma poema

haleh bryan

só tu cruzas e sobressaltas
os meus dias
embriago-me no perfume
do teu riso
nada me desvia deste
amor mais louco
o vento embriaga-se de ti
e o meu coração murmura
a canção das flores
que perderam o rumo em ti
os teus olhos iluminam
caminhos antigos

este não é um poema


sexta-feira, outubro 22, 2010

escolho-te a ti -


no horizonte que se vai fechar, digo: olha-me bem nos olhos.
és um grande mar de água doce e o silêncio a arder. deixa ficar-
procuro-te num fogo coração, na rua por passos noutra vida.
a tremura de sentir que és, enfim, minha. as veias têm cordas,
duas asas, dois braços abrindo veias do meu sangue. a ti volto.

foto philippe pache

quarta-feira, outubro 20, 2010


Lubanski

Robert Lubanski






Robert Lubanski

Sabia encontrar os seus lábios

…Sabia encontrar os seus lábios


Quilómetro doze


e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força na palma das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.

foto andreas heumann
José Luís Peixoto
"Cemitério de Pianos"

sexta-feira, outubro 15, 2010

terça-feira, outubro 12, 2010

Kevin Rolly Photography





"Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah"
-LEONARD COHEN

fotos de Kevin Rolly

About the Seduction of an Angel


Angels can not be seduced at all or quickly.
Pull him into the entryway,
stick your tongue in his mouth and reach

under his robe, til he gets wet; put
his face to the wall, lift his robe
and fuck him. If he stares in anguish
then hold him tightly and let him come two times;
otherwise, by the end, he'll be in shock.

Admonish him so he sways his butt;
let him know he's free to grab your balls.
Tell him he can fall without fear
while he is hanging between earth and heaven -

but don't look him in the face while you are fucking him
and, for heaven's sake, don't crush his wings.
(1948)

Bertolt Brecht

foto jean jaques andre

quarta-feira, setembro 22, 2010

It's a Fire!

emil schildt
subi os degraus a dois e dois, na mão o ramo de flores. o coração batia a duzentos à hora, desordenado. hesitei antes de bater à porta dela. o encontro fora marcado duas horas antes. só o tempo de sair do emprego e comprar as flores.
quando abriu a porta, as mãos tremiam-me. estendi-lhe as flores, nervosamente.
puxou-me para dentro de casa fechando a porta com força. os seus braços envolveram-me como se há longo tempo esperassem por mim. abracei-a desesperadamente.
estávamos juntos pela primeira vez. antes tudo se tinha limitado a olhares, a provocações veladas, a mensagens de tesão. era a primeira vez e já ela me despia o casaco com fúria e eu lhe desabotoava a blusa com mãos nervosas. beijávamo-nos e tremíamos, despíamo-nos e procurávamos, tremíamos e beijávamo-nos. sem palavras, só as mãos e as bocas, as línguas, a pele. tocávamo-nos, procurávamos, sem palavras, só as pernas e os corpos, os beijos e as bocas, a saliva e os sexos, e tremíamos e procurávamos, encontrávamos e fugíamos. sem palavras. o desejo, os gemidos, o bater dos corações. o encontro. a rendição. unimo-nos, prendemo-nos, sem palavras. mordemos o coração um do outro. sem palavras, amámo-nos.


Oh, Those Fabulous F. Sisters! - Jan Saudek

Oh, Those Fabulous F. Sisters!, 1983

foto jan saudek & sara saudkova

quinta-feira, setembro 02, 2010



i am drunk on her surreal beauty,
as i surrender to her spell.
cradled in her soft weeping starlight,
I melt, as I become something unreal in her,
and like a dream, i am swept away.


foto peter badjzek

quarta-feira, agosto 25, 2010

claustrofobicus...


abre-me. abre-me...abre-me. abre-me. abre-me...abre-me. abre-me...abre-me. abre-me. abre-me abre-me abre-me. abreme. abreme me me. abre abre abre...abre-te. abre-te...abre abre te te te abre te abre. abre-me. abre. me abre-me. abre-me. abre abre abre...abre-me. abre-me abre abre me te me abre...abre
claustrofobia


foto narcis virgilius

terça-feira, agosto 24, 2010

emil schildt


...and as your fantasies are broken in two
did you really think this bloody road wouldpave the way for you?


jeff buckley

foto emil schildt

terça-feira, agosto 03, 2010

segunda-feira, julho 26, 2010

sábado, junho 26, 2010

o homem mais bonito de lisboa


há lugares proibidos onde não poderá entrar. regras. pontos. cicratizes. fundas cicratizes. recua e desiste. avança e volta a tentar. eu sou. eu sou. conseguiu numa noite de chuva ouvir a voz: longe, mais perto a tua voz, mesmo a tua voz. escutou. desenhou um coração atravessado por uma seta e nele escreveu o nome do enigma. entrou. fez-se silêncio. nunca alguém tinha visto ou ouvido nada igual. eram tantas as penas e tantas as dores que o homem mais bonito de Lisboa chorou. pediu perdão pelos outros. desenhou no infinito uma nova vida, traçou novas linhas, modificou o trajecto, redigiu novas moradas explicando aos outros o impossível: assim, aqui, uns com os outros, como agora.

foto hedi slimane

Amber Valletta, Shalom Harlow/Gemiddelde Voedingswaarde


Amber Valletta e Shalom Harlow, Fotógrafo Paolo Roversi

para Vogue UK (Maio 1996)

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