quinta-feira, fevereiro 24, 2011
domingo, fevereiro 13, 2011
a minha boca ficou no teu pescoço
nesse ponto, nessa marca, nesse teu
jeito de morderes as palavras, dança
nos braços da tua quentura, sensualidade
de dizeres amanhã, hoje, ou nunca.
nunca. a tua marca em tudo o que fazes,
dizes, mostras. a minha boca continua
no teu pescoço e os meus lábios procuram
aí. nesse ponto, nessa marca, na dança
das palavras, na quentura dos teus braços.
foto Ernestine Ruben
terça-feira, fevereiro 08, 2011
segunda-feira, dezembro 06, 2010
terça-feira, novembro 09, 2010
Como renasces ao amar...
| andreas heumann |
Mas que imensidão quando emerge nos teus olhos esta recriação do procriar, a grandeza do prazer, a ferocidade da morte-viva, a imitação da vida, o desflorar da atmosfera dos pulmões que nos respiram, o sorvo cataléptico do teu orgasmo plasmado no meu, trevas e luzes que escorrem em denso liquido, um sangue contaminado e bebível no seu jorro ovariano, uma natureza que se contraria pura para te ter, agarrar com dedos enclavinhados os tecidos mais secretos do teu ser, fundir a matéria espermática do que sou e, construção escultórica de mãos, explodir no magma, crestar para enobrecer enobrecido, dissolver os contornos, transcender seus átomos.
(carlos eurico da costa)
E APROXIMAS-TE...
foto daqui
My Phallic Lover
![]() |
| claude fauville |
You're the train inside my tunnel
You're the finger in my glove
You're the gear stick in my gearbox
My god this must be love
You're the drill inside my cavity
You're the handle in my broom
The lead that fills my pencil
I'm your gate and you're my boom
You're the carrot in my crisper
You're the ladder to my loft
You're the pistol in my holster
Mind you don't go off!
You're the sword inside my scabbard
The sausage in my hotdog
You're the French stick in my basket
You're my snake and I'm your log
You're the eel that swims my waterhole
The utensil in my drawers
You're the cork that seals my bottle
Yes it's you that I adore
In my engine you're the piston
You're the toothpaste in my tube
The zucchini in my fettuccini
Oh I'm so in love with you
You're the rat inside my drainpipe
You're the log that burns my fire
The banana in my smoothie
Yes it's you that I desire
You're the bottle in my cooler
The plunger in my loo
Your torpedo fills my submarine
Yes my darling I love you
You are my phallic lover
We are a perfect fit
I'd like to do some things with you
If you'd be up to it?
So take me back to your place
And we can have some fun
It feels just right to hold you tight
As we two become as one.
Arcadia Flynn
sábado, novembro 06, 2010
quarta-feira, outubro 27, 2010
O Trio Infernal
este não é uma poema
sexta-feira, outubro 22, 2010
escolho-te a ti -

no horizonte que se vai fechar, digo: olha-me bem nos olhos.
és um grande mar de água doce e o silêncio a arder. deixa ficar-
procuro-te num fogo coração, na rua por passos noutra vida.
a tremura de sentir que és, enfim, minha. as veias têm cordas,
duas asas, dois braços abrindo veias do meu sangue. a ti volto.
foto philippe pache
quarta-feira, outubro 20, 2010
Sabia encontrar os seus lábios
…Sabia encontrar os seus lábios
Quilómetro doze
e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força na palma das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.
foto andreas heumann
José Luís Peixoto
"Cemitério de Pianos"
Quilómetro doze
e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força na palma das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.
foto andreas heumann
José Luís Peixoto
"Cemitério de Pianos"
quinta-feira, outubro 14, 2010
terça-feira, outubro 12, 2010
Kevin Rolly Photography




"Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah"
-LEONARD COHEN
fotos de Kevin Rolly
About the Seduction of an Angel

Angels can not be seduced at all or quickly.
Pull him into the entryway,
stick your tongue in his mouth and reach
under his robe, til he gets wet; put
his face to the wall, lift his robe
and fuck him. If he stares in anguish
then hold him tightly and let him come two times;
otherwise, by the end, he'll be in shock.
Admonish him so he sways his butt;
let him know he's free to grab your balls.
Tell him he can fall without fear
while he is hanging between earth and heaven -
but don't look him in the face while you are fucking him
and, for heaven's sake, don't crush his wings.
(1948)
Bertolt Brecht
foto jean jaques andre
sábado, outubro 09, 2010
sexta-feira, outubro 08, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
It's a Fire!
| emil schildt |
quando abriu a porta, as mãos tremiam-me. estendi-lhe as flores, nervosamente.
puxou-me para dentro de casa fechando a porta com força. os seus braços envolveram-me como se há longo tempo esperassem por mim. abracei-a desesperadamente.
estávamos juntos pela primeira vez. antes tudo se tinha limitado a olhares, a provocações veladas, a mensagens de tesão. era a primeira vez e já ela me despia o casaco com fúria e eu lhe desabotoava a blusa com mãos nervosas. beijávamo-nos e tremíamos, despíamo-nos e procurávamos, tremíamos e beijávamo-nos. sem palavras, só as mãos e as bocas, as línguas, a pele. tocávamo-nos, procurávamos, sem palavras, só as pernas e os corpos, os beijos e as bocas, a saliva e os sexos, e tremíamos e procurávamos, encontrávamos e fugíamos. sem palavras. o desejo, os gemidos, o bater dos corações. o encontro. a rendição. unimo-nos, prendemo-nos, sem palavras. mordemos o coração um do outro. sem palavras, amámo-nos.
quinta-feira, setembro 02, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
claustrofobicus...

abre-me. abre-me...abre-me. abre-me. abre-me...abre-me. abre-me...abre-me. abre-me. abre-me abre-me abre-me. abreme. abreme me me. abre abre abre...abre-te. abre-te...abre abre te te te abre te abre. abre-me. abre. me abre-me. abre-me. abre abre abre...abre-me. abre-me abre abre me te me abre...abre
claustrofobia
foto narcis virgilius
terça-feira, agosto 24, 2010
quarta-feira, julho 21, 2010
sábado, junho 26, 2010
o homem mais bonito de lisboa
há lugares proibidos onde não poderá entrar. regras. pontos. cicratizes. fundas cicratizes. recua e desiste. avança e volta a tentar. eu sou. eu sou. conseguiu numa noite de chuva ouvir a voz: longe, mais perto a tua voz, mesmo a tua voz. escutou. desenhou um coração atravessado por uma seta e nele escreveu o nome do enigma. entrou. fez-se silêncio. nunca alguém tinha visto ou ouvido nada igual. eram tantas as penas e tantas as dores que o homem mais bonito de Lisboa chorou. pediu perdão pelos outros. desenhou no infinito uma nova vida, traçou novas linhas, modificou o trajecto, redigiu novas moradas explicando aos outros o impossível: assim, aqui, uns com os outros, como agora.
foto hedi slimane
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