
O beijo solta-se-me na boca
rola-me nas mãos, cai-me no chão.
Levanto-o, sem pensar, entranho-o,
devolvo-o, no cair da boca chama.
Fome de desejo, o beijo aponta,
chega-se-me em marés de bocas,
supreendentes bocas, bocas fome.
Doces as bocas, em religiosidade
de beijos que se espreguiçam lânguidos.
E eu, a querer só a tua boca, o beijo
que se solta, que cai no chão,
em marés na saudade de ter
o beijo sem ser. Guardá-lo.
Beijo a tua boca em exorcismo
de coisa nua, chamas e poentes clandestinos.
O beijo que se solta e se espreguiça, lânguido.
Lânguidas bocas, onde o beijo aponta.
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