…Sabia encontrar os seus lábios
Quilómetro doze
e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força na palma das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.
foto andreas heumann
José Luís Peixoto
"Cemitério de Pianos"
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6 comentários:
maravilhoso!
tanta paixão. tanto desejo...
amei.
beijo carinhoso =)
Escolheste um excelente autor.o Peixoto é genial.
Quanto ao teu pedido claro que sim.É uma honra.
um bjo
É genial o Peixoto.
Zangada? Deveria?
bj
este rapaz peixoto escreve melhor poesia que prosa...
Black Angel,
Linda, esta passagem do "Cemitério de Pianos".
Boa semana!
:)
Beijos
má língua burning man
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