| emil schildt |
quando abriu a porta, as mãos tremiam-me. estendi-lhe as flores, nervosamente.
puxou-me para dentro de casa fechando a porta com força. os seus braços envolveram-me como se há longo tempo esperassem por mim. abracei-a desesperadamente.
estávamos juntos pela primeira vez. antes tudo se tinha limitado a olhares, a provocações veladas, a mensagens de tesão. era a primeira vez e já ela me despia o casaco com fúria e eu lhe desabotoava a blusa com mãos nervosas. beijávamo-nos e tremíamos, despíamo-nos e procurávamos, tremíamos e beijávamo-nos. sem palavras, só as mãos e as bocas, as línguas, a pele. tocávamo-nos, procurávamos, sem palavras, só as pernas e os corpos, os beijos e as bocas, a saliva e os sexos, e tremíamos e procurávamos, encontrávamos e fugíamos. sem palavras. o desejo, os gemidos, o bater dos corações. o encontro. a rendição. unimo-nos, prendemo-nos, sem palavras. mordemos o coração um do outro. sem palavras, amámo-nos.
Sem comentários:
Enviar um comentário