segunda-feira, novembro 16, 2009

Destruição



Os amantes se amam cruelmente

e com se amarem tanto não se vêem.

Um se beija no outro, refletido.

Dois amantes que são? Dois inimigos.


Amantes são meninos estragados

pelo mimo de amar: e não percebem

quanto se pulverizam no enlaçar-se,

e como o que era mundo volve a nada.


Nada, ninguém. Amor, puro fantasma

que os passeia de leve, assim a cobra

se imprime na lembrança de seu trilho.


E eles quedam mordidos para sempre.

Deixaram de existir, mas o existido

continua a doer eternamente.


Carlos Drummond de Andrade

1 comentário:

Su disse...

excelente escolha


jocas maradas...sempre

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