domingo, setembro 20, 2009

oiço o som da harpa no ecran do televisor do meu quarto,
enquanto penso nas teclas estafadas daquele piano que

tocámos em conjunto. um dia. dia em que o meu silêncio se fez
através das palavras repetidas pelo outro. desenho incaracterístico
de pó de giz. palavras, palavras escritas. dizíamos céu, e o céu
eram as teclas estafadas daquele piano, quando sorrias para mim,
através de mim. éramos, nessa altura. tu e eu. um dia. oiço o som da
harpa no ecran do televisor, vejo-te a ti e a ele. ele dentro de ti,
nesse lugar que foi meu, que juraste ser meu, sempre. para sempre.
oiço-te ainda através das palavras repetidas pelo outro,
vezes sem conta: insistentes, dominadoras. a voz prepotente de posse
incondicional e dura. recordo-te na visão ele dentro de ti. no meu
lugar. a legitimidade de ser a decisão tua. e aqui ninguém. ninguém.


foto PhiliPPe PaCHe

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