domingo, junho 30, 2013

se me quiseres conhecer é lá contigo....

Foto Olaf Martens

se me quiseres conhecer é lá contigo
se me quiseres encontrar é lá contigo
se quiseres vir tomar chá
terei prazer em tomar chá
estou no lado, estou no sítio mal afamado,
e é lá que eu vou estar até te escutar.
ai! se me quiseres conhecer terei prazer
em tomar chá contigo, estou no sítio


não me consumas, não me consumas mais
que tu abusas, que tu abusas
não sou o espelho da tua vaidade,
nem a pastilha do teu à vontade
não sou canal de televisão
se me quiseres conhecer é lá contigo...
terei prazer em tomar chá. estou no sítio(?)

António Variações

sábado, junho 29, 2013



...he comes to me like an angel out of time

foto Olaf Martens

na escrita o supremo é imaginar…

Distortion by André Kertész, 1930
“ sentir pupila a pupila, no marulhar dos dias esquecidos a beleza entre os sexos húmidos deitados no mar de leito. Sopranas, as bocas, seus hálitos vêem o fogo movido no inebriamento e se arrebatam uma  á outra, cosidas á força de mil labaredas.
Os fluidos acendem-se nos braços, entre os nós das carnes e o sangue faísca ao som de qualquer palavra leviana...mente. Nos espelhos a imagens de duas linhas, paralelas em fulcro, no começo de um arremesso. As partes brilhando. Morrendo húmidas. Brilhando. A loucura soberana alangado todo os poros. Os sexos rugindo ecos. Em sitios dentro bebendo de leite e comendo-se na claridade que ainda não jorra. 
Os olhos são, as portas dançando e se unindo. Abrindo os quatro céus ao cerne da libertação das polpas, quase quase maduras…
A vulva queima, no seio do seu terrível escuro onde o pénis bebe grandemente, bebedeiras, desforradas em insónias e trevas imediatas. A foda é a expansão aluada de um sangue em forma de falo que mergulha abruptamente no ritmo que tudo ilumina, e de quem dela bebe, se embriaga tal como o pénis bebedor…
O amargo queima a língua no vórtice da sua acidez fertil. Na languidez perfida. Na volúpia intuitiva do sexo. A teia fecha-se, desentranhando as plumagens. Na vulva as águas espraem-se selvagens entre as imagens e a constelação. O sexo sorve-as. Fundamente e arranca-as porque tudo nelas afoga-se inevitavelmente em fogo.”
O tempo é então selado nos lugares altos e se transforma em profundas crateras . Nu desejo e ali permanece infinitamente dentro. As coadas respiram, agora, rencostadas no papel, na minha página, aqui escrita, transcrita na mente, essa musa, a Deusa que em mim suspira na imovel branca folha de papel…"


Luisa Demétrio Raposo

sexta-feira, junho 14, 2013

finalmente

nan goldin
finalmente
dentro
o calor da tua cama
dentro
indecifrável
a terra treme
aqui
cá dentro
vive o instante do beijo
tempo
dentro do tempo
o tempo sem fim
infindável
no meio da vida
vida
senso enorme
vive o instante da posse
dentro
aqui
o meu corpo toca o teu
dentro
finalmente
pare-se o tempo
prazer
o tempo dentro do tempo
no instante em que me dás o beijo
e o meu corpo toca o teu
a terra treme o sangue falha
pare-se o tempo
finalmente


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