terça-feira, novembro 01, 2011

quilómetro 234

quando as forças te abandonam. os teus reflexos,
a tua vida, resta a dor. a dor que te envolve por todo
o lado, a dor que resta por ti, aí.
viste-a.
apalpaste-a.
saboreaste essa dor que te transmiti.
tomaste-lhe o pulso.
mendigaste para que te deixasse
a dor rodeia-te
à tua volta só ela existe
imensurável, a dor.


fúria, rasguei papeis, parti bules, taças, vidros, desesperei.
fugi, fugi para tentar escapar, dali para aqui, daqui para ali,
para que ela não me tome, para que me deixe em paz,
para que não volte. envolve-me de novo, eu e a dor
respiramos na boca um do outro. somos uma só.

de medo e amor, correntes de palavras, sucessivos os dias,
eu sou o reflexo , reto, simétrico que envolve o meu corpo.
no mundo onde  não era silêncio, o meu corpo transformado
é claro e brilha. sou eu. somos um só até ao quilómetro
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