segunda-feira, outubro 27, 2008



Agarrou num caderno, separou quatro folhas.
Em cada uma escreveu quatro nomes.Nomes.
Em seguida, a razão que a levava a escrever.
Dobrou as folhas, meteu-as nos diversos envelopes.
Endereçou-os: para o amigo americano, o segundo para um amigo
de confiança, o terceiro para a irmã, o quarto, para longe.

Nessas missivas disse: as pombas que estão
no meu ombro irão voar, quero que vocês as abatam
se algo me acontecer. Não disse qualquer palavra.
Fechou os envelopes, selou-os e enviou-os.
Juntamente iam as moradas dos donos das
pombas. Depois de o ter feito, sentiu-se mais calma.
Empertigou-se na cadeira.

Ela era, em si mesma, um.
Guardiã da Fé, da nova Fé.


foto Andrea A

A Palavra

terça-feira, outubro 07, 2008

feitiço


vem
sinto-te
desejo proibido
perde-me
encontra-me
como se escreve o amor 
nesta loucura que sinto?

foto Oleg Kosirev

quinta-feira, outubro 02, 2008



Foi um dia como o de hoje, mais um homem, mais um corpo.
Já não sei o que escondes, pelas ruas sem olhos circulo.
Senti o teu sorriso nos meus olhos, na rua sem sentido,
deserta. Adivinho. Sorrisos, segredos, loucos desejos.
Tudo na insinuante sensação do que não é. Poder. Sedução.

foto ralph mecke

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